O respeito que São Paulo merece
João Mellão, ex-secretário de comunicação do governador Alckmin, diz em artigo (O Estado de S. Paulo - 14/05) que São Paulo, ultimamente, não honra sua história de grandes prefeitos. Cita como grandes Jânio Quadros, Adhemar de Barros e Olva Setúbal.
Com um histórico destes, creio que nem Maluf deva ser comparado. Afinal de contas, Jânio, como sabemos, era um desvairado dado a tempestades emocionais (como esquecer a história das "forças ocultas" ou "o povo me reconduzirá ao poder", durante sua renúncia ao cargo de presidente, em 1963). Adhemar de Barros é pai do malufismo, o tal do rouba mas faz. Olavo Setúbal, marionete dos títeres da ditadura, dispensa apresentações.
Estranha esse asco que alguns paulistanos sentem à prefeita Marta Suplicy. Afinal de contas, se ela não obra em favor da cidade, todos reclamam, alcunhando-a de inepta. Se o faz, atrapalha o trãnsito e a vida dos paulistanos. Eu, com toda minha inexperiência, não conheço obra que não atrapalhe. Mudanças sempre sofrerão revezes, porém só o tempo, sábio senhor, poderá disser se as mesmas alcançaram logro ou não. Os paulistanos sempre confortaram-se com tanto larápios do erário e alhures, e quando tem prefeita capaz de tocar obras sem, aprincípio, nada delas desviar, ficam emburrados por um ou outro empecilho causado pelo canteiro.
Em contrapartida, temos mudanças no sistema de transporte público, na área educacional e outros. mudanças essas para as regiões periféricas, onde o Ibope e a oposição não chegam. Pergunte a qualquer morador próximo ao CEU, ou mesmo o morador de periferia , o quão boa é a administração Marta em São Paulo. Com certeza, a entrevistada agradecerá pelo uniforme cedido ou pelas aulas de inglês, francês e os projetos culturais realizados pela prefeitura. Mas não, a burguesia idiota ora para que a prole não tenha de forma alguma cultura, de modo a tornaram-se perigosos enquanto pensam. Ou melhor, isso é muito conspiratório. É mal de todo brasileiro ser contracultural.
E antes que venham a dizer impropérios sobre mim, deixo claro que isto não é defesa, é fato. Basta consultar diversas fontes, não só as ligadas ao stablishment.
PS: O título é cópia do usado no artigo de João Mellão.
Escrito por O Imperador às 12h57
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Imagem não é nada, referências são tudo.
Nosso caríssimo professor de Teoria da Mídia diz que Van Helsing é melhor do que Kill Bill. Imagens, barulhos, uma barafunda de feitos especiais. O enredo, para quê? Basta a diversão aos olhos e a alienação a mente.
Kill Bill tem o enrendo simples, porém magnífico. Gira em torno da vingança de The Bride, ou Black Mamba, contra Bill, que tentou mata-la, grávida, no dia de seu casamento. Temos referências aos westerns de Sergio Leoni, aos filmes japas mais legais da Terra do sol Nascente. Mistura-se duas culturas distintas, porém nenhuma sobrepõe-se à outra. A vingança western de Black depende da espada de Hattori Hanzo e das artes marciais, assim como as artes marciais só podem ser usadas por meio da vingança a la western.
A genialidade de Tarantino realiza cenas antológicas ao cinema, coimo Uma Thurman contra os "88 Crazies", gangue da chefe da Yakuza, interpretada por Lucy Liu. Não há personagens secundários, Bill, Elle Driver, O-Ren Ishii são tão bem engedrados a trama quanto Uma.
Já o malfadado Van Helsing parte de boa premissa, a conhecida história do caçador de monstros que percorria o mundo, a serviço da Igreja, para acabar com os "males satãnicos" seja em Paris, Londres ou nos confins da Romênia. Belas imagens (como a Torre Eifel em construção e as catedrais de Paris e de São Pedro, no Vaticano) constituem o melhor do filme. As faces sem expresão de Hugh Jackman (um bom ator que fez sua primeira, dentre as mais famosas interpretações, cagada) e Kate Backinsale (que poderia ser uma modela belíssima no museu da Madame Toussad), além das reviravoltas estúpidas do roteiro, o transformação em diversão banal. Como só gosto de discutir cinema com quem gosta das mesmas coisas que eu, encerro aqui o assunto. Mas declarações como a citada no início do texto deveriam ser probidas por lei.
Escrito por O Imperador às 12h42
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Stalinismo
Muitos personagens da história normalmente ganham um "ismo" ao seu nome como forma de determinar um ato peculiar do citado à uma prática excessiva em seus atos. Josef Stalin, ex-presidente da URSS ganhou o seu, de forma macabra. Sempre que falamos em stalinismo, associamos o nome ao controle do Estado sobre toda e qualquer forma de informação. Se for pró, passa. Contra, morre, algumas vezes junto com aquele que informa.
A expulsão do jornalista do New York Times, Larry Rohten, encaixa-se nesta verve despótica do presidente Lula. Nove entre dez comunistas, marxistas ou qualquer outro "ista" da esquerda considera Stalin no mínimo um desserviço as doutrinas de esquerda. Através de sua truculência, roubou, matou, e principalmente, manipulou durante anos o povo e o poder soviético. Seus vícios foram por muitos herdados, como Castro, Mao e alhures que se denominam socialistas.
Por que reagir matando ou calando aqueles que lhe são contra. Por um simples processo de segregação da informação "ruim"? Por um maniqueísmo simplório, de forma a mostrar força e vigor no poder? Por meio de teorias conspiratórias de baixo escalão?
Estamos num embate simbólico. De um lado, o mundial NYT, vítima de recentes fraudes jornalísticas de deixar qualquer editor de cabelo em pé. De outro o mundial Lula, conhecido por aqui e por lá como um democrata, apesar de suas deficiências administrativas.
Larry Rohten, há trinta anos trabalhando na América Latina, escreveu em artigo no citado jornal que o presidente Lula pode ter como causa de sua ineficiência administrativa o consumo em excesso de álcool. Tendo a mão fontes como os colunistas Cláudio Humberto, Leonel Brizola e Diogo Mainardi, teorizou impropérios acerca do presidente. Utilizou-se de fotos e teorias conspiratórias da oposição ao governo Lula. Pois bem, aos fatos.
Cláudio Humberto, ex-assessor de imprensa do Collor, não tem credibilidade alguma. Vive a tricotar picuinhas palacianas que divertem tanto situação como oposição. Mas só ficam no campo da diversão. Diogo Mainardi é um factóide da Veja. Escreve bem, nos faz rir semanalmente e boquiabertos, pensarmos: "O homem tem coragem de escrever isto". A Leonel Brizola, dispenso comentários.
Só aí já morre a credibilidade do artigo de Rohten. Informando com base em gente sobre qualquer suspeita, Rothen enlameou mais uma vez a antiga imagem áurea do NYT. O que fazer com um jornalista desse?
A primeira medida é, sem dúvida, ligar para o NYT. Grampeiem, gravem, façam o diabo para ter a conversa com o jornal documentada. Caso não haja entendimento para com o jornal, ao menos ali há a prova de que o governo Federal tentou, de todas as formas, conversar com jornal.
Caso o NYT não respondesse, a proóxima medida é ridicularizar a notícia, da mesma forma como foi "ridicularizado" o presidente e, por conseguinte, o País. Lance a imprensa nacional e estrangeira nota na qual seja questionada a veracidade dos fatos de um jornal que, até pouco tempo, tinha em seu expediente ficcionistas como Jason Blair. peça provas do que foi dito, mesmo que tenha o presidente que passar pela vergonha de soprar o bafômetro antes de cada aparição. Afinal de contas, se o artigo é infundado, Lula não terá receio em fazê-lo. Não há humilhação, há confirmação a mentira de Rothen. Por fim, tente processar o jornalista, ou o próprio NYT será capaz de faze-lo ao ver que possui em seu quadro novo romancista de notícias, o que provavelmente ocorreria.
Enfim, temos mil e uma forma de lidar com o assunto. A pior, a mais execrável e doentia é a que foi usada. Afinal de contas, se expulsar um jornalista, afim de que ele apenas cumpriu seu dever profissional (se o cumpriu mal, cabe-se julgamento) é prática pura e títpica de governos despóticos. Hitler, Stalin, Castro, Bush assim faziam ou o fazem diariamente.
Por mais manipulada que nossa imprensa seja, sempre salvam-se dois ou três a dizerem a verdade. mesmo que doa ao Lula, ao Dirceu, ao Gushiken ou ao Bush. Temos autonomia em relação ao governo, autonomia essa que pouco sobrevive no mundo cão da mídia, porém sobrevive.
Por fim, do outro lado do ringue temos Lula, que enlameou-se perante todo o mundo. Transformou o acéfalo Rohten em símbolo da liberdade de imprensa. Transformou um homem que já forjou matérias na Patagônia argentina em arauto da liberdade de expressão. Mas acima de tudo, transformou-se, num processo Dr. Jeckyl/Mr. Hide, sua figura na de Stalin.
Escrito por O Imperador às 12h56
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