Dura Lex Sed Lex


Diálogos fanáticos pós-modernos.

Júlio e Claudia, no cinema.

 

Júlio: Leu a Lelê hoje?

 

Claudia: Infelizmente não, por que?

 

Júlio: Uma crônica magnífica sobre nossa ida ao jogo do Timão.

 

Claudia: Já até imagino. A Lelê é magnífica. Sou fã anônima dela.

 

Júlio: É que você não viu como ela terminou o texto.

 

Claudia: Como?

 

Júlio: Depois de falar sobre nosso amigo árabe, sobre o cara da Nova Schin e sobre a merda com cheiro de madeira, Lelê terminou assim: “e terminamos o dia rindo como nos finais dos episódios dos Thundercats”.

 

Claudia: Noooosssaaaaa! A Lelê é demais.

 

Júlio: É, ela não tem vaga na Folha de S. Paulo.

 

Claudia: Com certeza ela não tem vaga na Folha.

 

Júlio: É verdade. Ela é demais para a Folha.

 

Silêncio, o filme vai começar...



Escrito por O Imperador às 17h11
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Nem cinco minutos.

Nem cinco minutos da mais deslavada mentira. O assunto era a “omissão” de alguns dados do Imposto de Renda do diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Augusto Candiota. A denúncia, que veio a tona através de reportagem do “farejador” e imbatível Weiler Diniz, jornalista da revista Isto É, acusava não só Candiota. O “governor” Henrique Meirelles, presidente do BC também estava, para usar o linguajar típico dos gatunos, “na fita”.

 

Eis que surge, impávida, Fátima Bernardes, no Jornal Nacional. Com sua chapinha nipônica, fala sobre o assunto. Candiota para cá, Candiota para lá, renúncia, mercado não se abala com notícia e mais blá blá blá. Quantas vezes ela citou o Dr. Meirelles. Nenhuma. É a síntese do caos. Eles engolem o “sapo barbudo” e o mesmo entra no jogo da Globo. E ainda me vêm com a tal da ética e da democracia. Humpf.



Escrito por O Imperador às 17h10
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Diálogos familiares pós-modernos

Em cena Júlio e seu sobrinho, David.

David: E ae tio, tá assistindo Spider-Man?

Júlio: Uhum...

David: Ah, tá. O Duende Verde morre no final né?

Júlio: Não, nesse o Homem-Aranha morre. É o "director's cut".

David, com cara de "o que é director's cut": Ah tá bom, como?

Júlio, pensando em algo plausível: Depois de matar o Duende Verde, ele vai almoçar com a Mary Jane. Daí, quando ele vai por o garfo na boca, solta sem querer uma teia e morre engasgado... *segurando o riso por tamanha estupidez*

David: O_O! Mentiroso, como você é bobo tio.

Júlio: É verdade, pergunta pro Derick (outro sobrinho)...

Pano rápido.



Escrito por O Imperador às 13h10
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O duo João-João

Há algo de estranho nessa candidatura democrata John-John a presidência dos EUA. Não sei por quê, mas aho que a história nos ensinou, e muito bem por sinal, que tempo soturnos nos levam a devaneios de matizes mil. John Kerry e John Edwards, candidatos e Presidente e vice respectivamente, ainda são vagos sobre o que será a política americana, em especial a externa, tão importanjte para nós do Cone Sul.

Pois bem, vemos o circo armado. Whoopi Goldberg, Susan Sarandon, Michael Moore, o casal Clinton e até Ron Reagan, filho do notório republicano Ronal Reagan, declaram apoio ao duo democrata. Thereza Heinz, mulher de John e supra-magnata de ascendência portuguesa pinta como uma primeira-dama forte a ponto de transformar a Dona Hillary Clinton numa Dona Marisa.

Ótimo, que bom ver a opinião pública norte-americana virando as costas aos desastrosos George Bush e Dick Cheney. Só que penso que isso não passa de pão e circo para a plebe, uma vez que nada de novo foi informado para nós, potenciais interessados no futuro norte-americano (um espirro lá é a tuberculose aqui, lembram?). Vemos festas e mais festas, libelos vagos aos latinos e demais terceiro-mundistas.

É só olharmos para atrás um pouco. A Alemanha nazista, por exemplo, vivia num holocausto político e econômico antes de delegar outro holocausto as raças não-arianas. Hitler submergiu do nada e, quando menos viram, já estava no Panteão dos déspostas mundiais. Não que Kerry será um novo Führer na política mundial, pois imagino que ele não tenha psique para isto. Mas que o julgamento que está sendo feito de Kerry pelo mundo afora é muito, mais muito precipitada, isso vá lá pode ser considerado como factual.

Presidente por presidente, nos EUA, só um ao meu ver vale a pena. É David Palmer, do seriado 24 Horas. Pena o mesmo habitar o mundo fictício, infelizmente.



Escrito por O Imperador às 12h33
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Gênio da raça

Depois de declara que, caso tivesse se dedicado, descobriria a cura do câncer, Paulo Maluf disse que será a "Princesa Isabel" (O Globo, edição de hoje) de São Paulo, livrando a cidade dos impostos. Político já é merda. Gagá então, nem se fala. Agora, político, gagá, transformista e Maluf é a junção perfeita do Apocalipse. Valha-me Marx!



Escrito por O Imperador às 13h54
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A arte como títere do jornalismo

Há épocas em que as artes ocupam o lugar da imprensa como forma de informação. Temos grandes clássicos da literatura que, lidos nas entrelinhas, na verdade são notícias do mundo que os cercava, devido a omissão dos meios jornalísticos em noticiar o evidente.

Considero exemplo mais clássico disto o livro "A Revolução dos Bichos", do inglês George Orwell. Considerado por muitos como libelo ao capitalismo, "A Revolução..." na verdade não é uma crítica à política destinada as classes proletárias. Orwell quis, ao meu ver, denegrir com o stalinismo, talvez a ferida mais incurável de todos os males da esquerda mundial. Por que? Porque por mais que você leia e releia a obra orwelliana, em nenhum momento vê-se uma aversão aos ensinamentos do porco Major (referência ao filósofo alemão Karl Marx) e há até uma vista passional ao porco Bola-de-Neve (Leon Trótsky na "vida real"). Em compensação Napoleão (nome de um outro déspota, anti-popular, para referir-se a Joseph Stálin) é execrado até o último no livro. Ou seja, o papel que cabia à imprensa da época, coagida a ficar calada sob pena de retalização, acabou transferido para os livros. Obviamente Orwell sofreu concessões de todas as espécies e ideologias, mas hoje está como um dos maiores escritores do mundo, com metáforas de fazer o presidente Lula tremer.

Agora volta-se a esta discussão com o filme Fahrenheit 11/9, do incendiário Michael Moore. Acusam-no de tudo: manipulador, escroque, hipócrita, subversivo e mais o diabo a quatro. Só que há o verso da moeda. O que Moore faz em seu filme é justamente aquilo que deveria ser feito pelas Fox e CNNs da vida, em matéria de jornalismo: investigação, isenta de conchavos com o poder público. Só que nos EUA as coisas são contrárias. O stablishment manda e desmanda na terra do tio Sam, com algumas vozes dissonantes, normalmente ligadas a setores de fora da imprensa. Moore atua de forma incisiva, documentando e dando um ar mais factível, diferente de outros filmes desta era Bush e de outras em que se pegava um história fictícia para retratar uma sociedade real (Spike Lee e Paul Verhoeven, por exemplo).

O fato é que se comprova a inexistência da tal "imparcialidade", este Deus mítico, esse Santo Graal que grande parte dos jornalistas conclama como seu mas que não o possui. Sempre haverá dois interesses, e se nenhum dos dois é, digamos, defendido, um terceiro será representado na notícia. É a dialética marxista de tese, antítese e síntese juntas. Sempre haverá a ligação de empresas jornalísticas com o público e/ou privado, o que faz com que, aqui no Brasil por exemplo, tenhamos Folha de S. Paulo contra o governo Lula e o fisiológico O Globo a favor.

E quem informará, sem isenção, com fatos verossímeis? Algum vindouro documentário, com provas factíveis e pontos de vista que destoem do lugar comum da imprensa. Ou, quem sabe, o próximo filme de Michael Moore.



Escrito por O Imperador às 12h51
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