Dura Lex Sed Lex


A mão de ferro sem um dos dedos

A ânsia stalinista para com a imprensa contnua. Depois da famigerada e, ainda bem, malsucedida esmola do BNDES às empresas de comunicação (leia-se Globo) o politburo petista quer instalar o CFJ (Conselho Federal de Jornalismo) de modo a controlar bocas e mentes, impressas ou não, tupiniquins. Segundo o projeto de lei, a criação do conselho servirá para "orientar, disciplinar e fiscalizar"  o exercício da profissão, com poderes de punição aos lenientes. Também terá função de "zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe".

Vamos ver se entendi. Se eventualmente escrevo alguma bobagem em qualquer publicação, já estou sujeito ao júdice da ABI, da Fenaj e de sindicatos, além é claro de ter de responder juridicamente em caso de dano a alguma parte. Sendo assim, por que cargas d'água necessito de crivo de um conselho que nada mais fará do que burocratizar? Obsoleto, o conselho terá como função a supressão de uma base, além de direito ímpar, no jornalismo: a liberdade de expressão.

De alentador mesmo só a notícia de que o conselho irá "colaborar com o aperfeiçoamento dos cursos de jornalismo e comunicação social com habilitação em jornalismo". Mesmo assim, isto pode soar como o tal de dar uma no cravo e outra na ferradura.



Escrito por O Imperador às 13h22
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Capacitação incapaz

Ontem tive o desprazer de saber qual foi a sensação de Galileu diante do Tribunal da Santa Inquisição. Resignação, dentre outros adjetivos.

O caso se desenrola da seguinte fomra: tenho uma professora de Legislação. Ela nos pede um livro que, dentre outros códigos, possui nossa Constituição e a Lei de Imprensa. Compro o livro e, obviamente, vou ler, como forma de me preparar para a prova e também por causa de meu vício sem cura por livros novos. No dia da prova, quase não preciso de consulta, de tanto apreço que dei as leis. A professora pega e, como forma de castigar este ateu, marxista e bêbado (redundâncias não necessariamente nesta ordem), dá 1,5 numa prova que vale 8,0 e escreve, numa cara de pau de corar o Bispo de Torquemada:

- Não comparece as aulas. Ainda não estudamos estes ponto da Lei de Imprensa.

Vamos ver se entendi. Ela não interpretou as respostas. Ela simplesmente viu que citei artigos que não havíamos estudado em sala e resolveu considerá-los errôneos. Eu poderia até estar certo, mas não, por transgredir uma "hierarquia" fui condenado como herege e mandado a fogueira.

Eppur si muove, eppur si muove.



Escrito por O Imperador às 13h07
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Rua Toneleros, 180

Há 50 anos o deputado e jornalista Carlos Lacerda chegava em casa acompanhado de seu filho Sérgio Lacerda e do major da Aeronáutica Rubem Vaz. Depois de mais um dia de demolições, o Corvo (apelido para lá de "carinhoso" dado à Lacerda pelo seus críticos e não críticos) voltava ao lar quando, sem mais, três homens tentaram matá-lo, mas acabaram por dar cabo do major. À Lacerda restou um tiro no pé, enquanto seu filho continuou incólume.

O fato acima trata-se do notório atentado da Rua Toneleros, um dos pilares, senão viga mestra, de um dos maiores fatos da nossa história (e, porque não, da história do mundo): a morte do presidente Getúlio Vargas. Confesso não nunca me apeteceu o estilo Lacerda. Apesar de ser um exímio comunicador, de dominar a língua pátria como poucos, Lacerda era aquele tipo de profissional, tanto na esfera política como na jornalística, que acendia uma vela para Deus e outra ao Diabo. Era capaz das maiores elucubrações de modo a destruir seus oponentes, movendo mundos e fundos para isso. Samuel Wainer que o diga.

Getúlio também não agrada. Ditador, por demais centrado e adepto de totalirismos como o nazismo e o facismo, tem em seu currículo a morte da saudosa e corajosa Olga Benário, quando a deu de bandeja para Hitler. A moça, judia e comunista, não tinha como oferecer resistência a política do Führer. Mas mesmo assim devemos ressaltar que as vantagens trabalhistas que Getúlio ofereceu me são muito gratas. Não podemos negar que graças ao Velho (apelido carinhoso dado por seus "filhos") o Brasil catapultou-se para o desenvolvimentismo de Juscelino sem ter uma classe trabalhadora oprimida. Pelo contrário.

Pois bem, na "comemoração" dos 50 anos da Toneleros a imprensa até que deu coberturas, digamos, factuais. O JB entrevistou um dos atiradores, Alcino João do Nascimento. A Folha dedicou uma página com uma série de "especulações" sobre o ato. Será mesmo que Lacerda não sabia de tal atentado, por exemplo. O Globo meia página dando o episódio como epílogo da Era Vargas. O Estado não deu palavra sequer, creio que pelo fato de odiar até a décima quinta geração de Vargas.

Muita coisa se diz sobre o assunto. Que era obra de Gregório Fortunato, o Anjo Negro, principal segurança de Getúlio. Que Lacerda era ardiloso a ponto de matar o major e atirar no próprio pé para derrubar o ex-presidente do poder. Testes exotéricos a parte, creio que o Toneleros seja o maior atentado da história do país. Não pelo o efeito, como o do Rio Centro, mas pelos estilhaços, que culminaram na morte de uma das maiores figuras do país, tanto para o bem quanto para o mal.



Escrito por O Imperador às 12h44
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Diálogos pós modernos

Leonor e Júlio, em algum lugar de São Paulo.

Júlio: Então, quem é minha mãe??!!?? *cara de drama, a la as peças do grande Bardo*

Lelê: Sua mãe é a... *suspense, tambores rufando* Valdirene !!!

Júlio: O_O !!!! E quem é meu pai?

Lelê: Seu pai é a Helen Hunt! :o)

Júlio: :o\



Escrito por O Imperador às 13h52
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:o) !

Feliz da nação que possui heróis. Titãs, semi-deuses que ao menor sinal de perigo descem de seu Panteão Olímpico, carregando em seus punhos a Justiça, em seus tanques a Liberdade, em suas armas a democracia. Lás está, em seus corações e mentes a defesa a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Errado. Feliz o povo brasileiro, que sorri maroto a tudo e a todos.

Ao assistir Fahrenheit 11/9 percebi esta peculiaridade intrínseca ao povo brasileiro. Um filme que, pelo menos na minha opinião, deve ter chocado o WASP mais ferrenho (fora claro, um ou dois partícipes do stablishment), aqui nos fez rir. Rimos "deles" diz o leitor. Muitos de nós acha o povo americano arrogantes, prepotentes em sua "auto-suficiência". Até vis, podemos dizer, em sua "predestinação a donos do mundo".

Mas isso não basta. Percebi que sorrimos de nossas ditaduras mambembes, de Getúlio a Médici, mas principalmente de Figueiredo. Rimos do sotaque do Sarney, da loucura viciada de Collor, do topete de Fuscas do Itamar, do "neobobismo" e do liberalismo de FHC e autalmente do plano de poder da seara petista, encabeçada por Dom Lula. Galhofamos da nossa violência, do nosso provincialismo e dos auspiciosos, porém sonhos, do Brasil Grande.

Brasileiro é o único que sorri quando corno, quando pobre, até quando viado. Ri na derrota a ponto de parecer a olhos externos que venceu, encarando seu oponente com a característica gargalhada. Perde o emprego, a mulher, o cachorro e deita a cabeça ao travesseiro sorrindo no descanso dos justos.

Parafraseando a mestra Leonor, aqui no Brasil tudo termina em sorriso, como os finais dos desenhos do Thundercats.



Escrito por O Imperador às 13h27
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