Se o crime é uma doença, Lelê é a cura.
Recentemente a casa dos tios da Lelê foi assaltada. Sabem como é, terceiro mundo, pobres, má distribuição de renda, FMI, vans de produtos perecíveis. Ok, estou muito influenciado pelas narrativas do mundo cão de Tom Wolfe em "A fogueira das vaidades". Pois bem, Lelê contava-me sobre suas peripécias enquanto investigadora criminal (sim, além de cronista máxima a perpicaz amiga em nada deve aos grandes da espionagem, como Bond, Bourne e por aí vai).
Lelê contava-me sobre sua conversa com os "peritos" (as aspas são minhas) da polícia, uma vez que não pude ler o texto dela sobre o assunto (é dever cívico, religioso e um serviço à inteligência ler o texto, disponível em www.tabulas.com/~subversiva). A certa hora da conversa, ela me disse:
- Aí o perito me contou que ia fazer manualmente a análise das digitais, e que aquilo demoraria séculos!
Eu comecei a imaginar o tal do "manualmente". Papel estencil, álcool e mimeógrafo? Carbono e folha sulfite? Reprodução em papel vegetal? Não suportei durante muito tempo e insisti:
- Como assim "manualmente"?
- É, eles recolhem as digitais e analisam, uma por uma, com o banco de dados (sic) da polícia.
- Como assim? A olho nú?
- Por mais absurdo que pareça, é... (acompanhado de riso sarcástico)
Pois, pois, meus nobres gajos. Não temos aqui outra coisa senão a ação mais lusa que já vi desde o desembarque das caravelas. É humanamente impossível analisar (e acertar) digitais a olho nú. Se as máquinas, com todos os seus dispositivos, são passíveis ao erro, o que podemos dizer de um funcionário no auge do seu centenário, enfurnado num comôdo mofado de uma repartição pública qualquer, regado à café estragado, Continental sem filtro e bolachas Santa Maria?
De qualquer forma, isso deve ser normal para os nobres agentes lusitanos. Afinal de contas, segundo nossa Bond Girl, Lelê, o fotográfo usava a mesma máquina fotográfica que flagrou Tutâncamon, Jesus, Moisés e a Aracy de Almeida numa suruba clássica em Constantinopla. Daquelas que o fotográfo segura uma outra lâmpada para o flash, seguido de um cheiro maldito de enxofre ou algo parecido.
E nós ainda rimos do Leslie Nielsen no "Corra que a polícia vem aí". Puta cara de pau da nossa parte.
Escrito por O Imperador às 11h38
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Post chato deveras...
Pois é, meus caros, mais um Carnaval passou pela terra tupiniquim. Eu que não suporto a data festiva (mais detalhes no blog-filho Fracassados uma ova!) aproveitei para colocar em dia a corrida ao Oscar 2005, que esse ano passará longe da TV aberta (preciso achar um doido com TV a cabo para assitir na TNT).
O negócio será narrado em pequenas considerações pois ainda faltam dois concorrentes de peso a assistir, visto que "O Aviador", do mestre Scorcese, e "Menina de Ouro", do não menos mestre Clint Eastwood, só estréiam amanhã.
O Oscar de melhor ator tem nome e endereço certo: Jamie Foxx. É absurdamente fiel a atuação do homem como o célebre Ray Charles na cinebiografia "Ray". Antes que digam "ah, então é cópia", mando desde já à merda e digo que é coisa feita com alma. E olha que nem acredito em de umbanda, espiritismo, mesa branca e FMI. Oxalá, leitor!
"Sideways" é sem dúvida uma grande surpresa. É um dos filmes mais simples e mais geniais que assisti. E é injusta a Academia (só para variar um pouco, não?) que não indicou o Ator (sim, com "a" maísculo) Paul Giamatti para concorrer a estatueta. Gênio é pouco para o homem.
"Em busca da Terra do Nunca" é outro filme soberbo. A atuação de Jonhy Deep como J. M. Barrie é magnífica, e Kate Winslet, como sempre, não erra. Ah é, ela fez o Titanic. Mas tudo bem, depois de "Brilho eterno de um mente sem lembranças" ela pode até fazer uma versão do "Até o limite da honra" que está tudo em paz.
Por fim, a ala dos injustiçados tem como expoentes dois filmes que já nasceram clássicos: o já citado "Brilho eterno.." e "Closer", cujo diretor, Mike Nichols, merecia estar no hall dos concorrentes (só ele para dar um ar gracioso a sonsa da Julia Roberts). De qualquer forma, as películas não foram esquecidas por completo, pois seus atores almejam a estatueta de melhores coadjuvantes (para Natalie Portman e Clive Owen em "Closer") e de melhor atriz (Kate Winslet em "Brilho eterno..."). Ah, e Jim Carrey, sempre tratado como pária, ficou de fora por sua atuação em "Brilho eterno...". A Academia tem cada picuinha besta com os gênios, Orson Welles e Hitchcock que o digam.
Pois bem, neste ano não arrisco prognósticos. Talvez eu sucumba a vontade de chutar, mas de qualquer forma, vou me segurar ao máximo. Mas corto um braço se o Jamie Foxx não levar o Oscar de melhor ator neste ano
Escrito por O Imperador às 11h54
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