A lenda Michels
Vi dois jogos do Carrosel Holandês de 74. Um assisti inteiro, contra o Brasil de Rivellino, Luís Pereira et caterva. O outro em takes contra a Alemanha, ainda Ocidental, na final da Copa.
Reza a lenda que o assessor técnico de Zagallo foi assisitir a alguns jogos da Holanda, para estudar o adversário antes do embate contra o Brasil. A anotação sobre Johhan Cruyff, cérebro do time, era algo do tipo "ele é um ponta direita, que volta para armar e dá carrinho para salvar bola na defesa". A história ainda conta que, terminado o primeiro tempo da partida que o tal assessor assistia, o mesmo viu em sua folha de anotações um emaranhado de riscos, parábolas e hipérboles como bem disse Renato Maurício Prado, enfim um grande e inteligível rascunho. Rasgou tudo e prefetizou: "essa seleção joga igual a time de várzea".
Os "varzeanos" holandeses meteram dois gols (Resenbrink e Neeskens, se não em engano) na seleção canarinho, num jogo injusto. Injusto porque o "carrossel" era desleal. Jogava com 22, 27, 30, uma legião de jogadores em campo. A foto ao final deste texto demonstra que não minto. Pedro Rocha, zagueiro diplomático como só o Uruguai sabe fabricar, perdeu-se no jogo contra a Holanda. A definição dele para o combate dos jogadores é surreal: "era um inferno de gente correndo", diz o xerifão uruguaio.
E realmente era. Lembro que enquanto assistia a partida, ficava imaginando que desgraça seria narrar um jogo da Holanda. Porque não sabíamos quem era Rep, quem era Cruyff, quem era Resenbrink. E não pelos nomes complicados, mas sim pela movimentação daquela que, ao meu ver, é a maior seleção de todos os tempos. Parecia que Cruyff invertia o jogo e corria do outro lado para buscar a pelota. Era absurdo ver um atacante como Resenbrink na zaga do seu time distribuindo carrinhos nobres.
E como se não bastasse, os holandeses tinham no banco o maior de todos os estrategistas do mundo boleiro, o cerebral Rinus Michels. Dono de uma personalidade dura porém sagaz, Rinus estabeleceu parâmetros impensados no futebol. Contava com zagueiros "comuns" para o padrão da seleção de seu país e com um goleiro sofrível. Por conta da adversidade, tal qual grandes generais, Rinus improvisou e inovou. É o pai, a mãe ou o que você preferir da tão famosa linha de impedimento, uma tática óbvia e genial para as características de seu time.
O último dos grandes técnicos. Após ele, o mundo do futebol mudou completamente. Alguns chegaram próximo aquilo que Michels simbolizava, a tática, o "pensar" futebol. Telê Santana ao meu ver foi o que mais se aproximou. Mas a grande maioria não aproveitou os ensinamentos de Michels. Lazzaroni, Leão, Passarella são exemplos. É pena, mas Rinus Michels agora se vai sem deixar sem seguidores.

Na foto, o jogardo brasileiro Dirceu entre uma caralhada de holandeses. Não, não é comemoração de gol, nobre leitor. É o jogo mesmo. O Carrosel em ação.
Escrito por O Imperador às 13h08
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Nonsense do olha lá
- Olha lá, olha lá...
E eu olhei. E havia um casal. E entre esse casal havia uma bengala. Começaram elucubrações sobre quem claudicava, literalmente, no relacionamento. Num cálculo matemático de corar Einstein, tal qual o raio do "plano perfeito" que aprendíamos sabe-sa lá em qual disciplina na escola, o casal fixou-se sem que houvesse a remota percepção de quem era o coxo da história.
- Olha lá, olha lá, cuidado!
Desta vez não olhei. Conversava distraidamente. Em minha direção vinha Christine, a cadeira rodas assassina. Só houve tempo para o desvio, antes da catástrofe se consumar. Senão rolariam no chão da universidade eu e a motorista da cadeira. Elétrica, diga-se de passagem.
E tem gente que ainda é contra a pesquisa com células-tronco.
Escrito por O Imperador às 13h22
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And the "cult e cuzão" goes too
Ok, ok, pode ser tudo uma chatice, quem sabe combinado e, na maioria das vezes injusto. Mas eu adoro o Oscar. Torço, de pular do sofá, com a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. E ontem não deixou de ser diferente. Ou melhor, foi muito diferente.
Diferente porque sempre erro prognósticos sobre o Oscar. Inclusive, isso dá-me o direito de pensar que entendo muito da sétima arte, uma vez que a Academia é retrógrada, mesquinha e burra. Só que este ano eu acertei todos os principais (o vindouro comentário da Karina confirmará esta informação) e nem as traduções (sic) de Renato Maischato e de uma graciosa moça que aprendeu inglês no Instituto Universal Brasileiro (via correspondência, que fique claro), atrapalharam as sacadas legais do Cris Rock.
Dava socos no ar e pulava quando o Clint Eastwood deixou o Scorcese com uma cara de graças a Deus. Afinal de contas, gênio de verdade não ganha Oscar com um filme como "O Aviador", anos luz abaixo de clássicos como "Taxi Driver", "Touro Indomável" e "Os Bons Companheiros". Até o mal visto e quisto "Gangues de Nova York" é infinitamente melhor que "O Aviador". Aposto duas estatuetas que Martin adorou ver Clint ganhar. Sabem, como uma união para vencer o "mal".
Cate Blanchet e Hilary Swank também mereceram com louvor. E a homenagem ao Sidney Lumet foi magnífica.
Por fim, o melhor da noite ficou por conta do célebre Ronald, via messenger. Após o José Wilker, comentarista (sic) da noite soltar a pérola "Filmes como Spider Man e Harry Potter exigem muito do meu intelecto", Ronald em protesto solta palavras em forma de fúria, ou fúria em forma de palavras, sei lá. Lembro-me de cult e cuzão. A ordem, esqueçam
Escrito por O Imperador às 13h19
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