Apesar de vocês
Jonathan é uma criança que tem entre 10 e 12 anos e vende balas no Atlanta, Meca da sinuca na zona Oeste de São Paulo. Na labuta, creio que diariamente, Jonathan possivelmente tem conhecidos lá dentro e anda sem desembaraço por entre as mesas do recinto.
Ontem, enquanto Junior e Ronald disputavam um embate homérico, Jonathan dirigiu-se a mim e ofereceu as tais balas. Eu comprei, confesso que não por sensibilidade, mas para disfarçar da matriarca lá em casa que estava com Serra Malte até o pescoço.
Enquanto comprava, Junior propôs ao garoto que ele fosse até o bar da frente comprar cigarros. Perguntou-lhe se era confiável, ao que recebeu a resposta afirmativa. Deu R$ 20 ao garoto. Caso voltasse com a grana, Jonathan receberia R$ 10 por mostrar-se diferente de Delúbios, Silvinhos, Sérjãos e demais Caixas Dois. Vale contar que, ao ir comprar os cigarros, Jonathan deixou suas duas caixas de balas em cima da nossa mesa.
Em menos de cinco minutos, voltava Jonathan. Entregou o cigarro a Júnior:
- Está aqui, os R$ 10 que te prometi.
(Na verdade, segundo ilação minha, o diálogo foi assim: Se metade do Mundo fosse feito de pessoas probas como tú, as coisas teriam salvação. Apesar de saber que o Júlio é contra o assistencialismo nesta forma - digamos - bruta, dar-lhe-ei os R$ 10 porque assim acordamos).
- Não precisa. Eu te fiz um favor.
(Eu, Jonathan, tenho plena noção de que este assistencialismo não presta, de que eu não posso esperar Deus, o Estado, o Mercado, ou qualquer outro fruto de ilusão vir aqui jogar dinheiro na minha mão. Portanto, sejamos práticos: eu não quero me acomodar, fiz o favor apenas porque você convive na mesma sociedade que eu e, portanto, precisamos cooperar um com o outro. Ademais, o termo "meu dinheiro" soa melhor quando conquistado com trabalho, mesmo sendo ele este "semi-escravo" que sou obrigado a praticar por conta das entidades ilusórias acima citadas e outros mil fatores).
- Então eu compro os R$ 10 de balas - disse Junior, visivelmente admirado, no sentido bom da coisa, com o garoto.
(Mesmo com Valérios, Delúbios, PT, PSDB, PFL, FHC, Serra, Serjão, Collor e mais um monte de filhos da puta por aí, este país ainda tem solução).
Podem ser, e possivelmente são, teorias loucas de minha pessoa. Sabemos que Jonathan é uma criança e Junior, apesar de tucano emplumado, um homem honesto. Mas de qualquer forma, cenas como esta alimentam o ego de qualquer um que ainda pensa que alguma coisa tem de mudar. Mesmo com toda a corja que anda ocupando páginas de jornais e revistas, televisores, rádio et caterva.
Escrito por O Imperador às 13h18
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Je vous salue, Marie
Caso Júlio não fosse um banana, no dizer mais simplório, estaria agora mesmo narrando-lhes, quem sabe, uma homérica foda, beijo, passada de mão e tapa, ou qualquer outra coisa com conotação sexual com uma francesa. Sim, meu povo, uma moça que deve conhecer de cor e salteado a Champs-Elysée.
Estavamos no Cambrigde, tomando umas e esperando a aniversariante chegar. Chega a franco-gostosa e senta-se, com cara de francesa fula da vida (Bardot fazendo bico?).
Automaticamente Lelê, Ronald e Júlio ficaram a pensar quem era aquela moça e o que esperava. Um namorado? Uma namorada? Um ônibus? Um carretel de linha e duas latas de cerol? Enquanto nossa pergunta não era elucidada, lá estava a franco-delícia com cara de Isabele Adjani-Rainha Margot fula com a corte e com os cortesãos.
Algum tempo depois a franco-uh-lalá foi-se, sem deixar qualquer indício, qualquer rastro, nem mesmo um cheiro qualquer, indicando que vinha da terra de Shopie Marceu. Logo chegou a aniversariante, contando-nos que sua amiga francesa ali estivera, esperara e saíra mais fula da vida do que Dona Maria sem os brioches.
E Júlio passou instantes ao lado de uma mulher que poderia lhe dizer "avec moi" ou "pardon", cedendo-lhe um orgasmo como a muito ele não vê, sente ou sei lá que porra. Joguem as pedras, por favor.
Escrito por O Imperador às 13h12
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