Deus e o Diabo na terra de Palocci...
O Demo bateu ontem na porta do Céu. São Pedro atendeu:
- Graaaaaaaaaaaaaaaaande Capeta. Belê?
- Chama o Hômi, que eu tô bravo!
E lá foi Pedrão chamar o Hômi. O Demo continuava impaciente. Dois minutos, volta Pedrão:
- Entra Demônio...
E lá vai ele bufando até o trono do Hômi. Dedo em riste, nem retribiu o bom dia:
- Escuta aqui seu...
- Opa, opa...isso aqui é minha casa, tenha respeito. O que você manda de lá?
- Olha só, eu aceitei um monte de gente ruim lá! Mas logo o Gordinho?
- Pô Capeta, o lugar do Gordinho é lá!
- Fala isso porque lá não é sua casa...Agora ele virá com aquela história de superávit primário e tal... e o pior, quando o Gordo morrer, ele também vai para lá. E a Zélia, idem. Que faço eu com a Tríade do Inferno, quando estes três chegarem lá?
- Hum...
Então os Hômi ficaram confabulando horas e horas sobre que destino dar ao Gordinho. De repente, o Hômi de cima teve a grande idéia:
- Vamos juntar os três no Brasil!
- Não, não, isso não combina com você... - disse o Hômi de baixo.
- Mas não tem problema, eu divulgo como idéia sua.
- Pô, mas aí fica pior pra mim...
- É ele lá ou no inferno. Pegar ou largar?
- Manda pra aquele trem...
Vem aí o Triunvirato Econômico mais fela que se tem notícia: Delfim, Zélia e Palocci. Periga mudar para os Mosqueteiros, com o Pedro D'Artagnan Malan...
Escrito por O Imperador às 14h20
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Olha só como anda esse moço...
Há tempos ele andava abrindo o saco de maldades. Mas de repente ELA apareceu e mudou tudo. Agora ele vê pequenos corações na rua, anda rindo sozinho, cantando, sentindo saudades. Imaginando o jardim de flores do Peixe Grande (Tim Burton romântico, vejam só!), declarações piegas, ele, ela, conversas ao pé do ouvido, beijos, abraços. Vê bondade em Ariel Sharon, os judeus deixando Gaza para quem é dono de direito, o Serra decidindo acabar com o hediondo Minhocão (vale citar que já foi idéia da Marta), o Chico cantando qualquer música que não tenha tapioca no meio.
Fica até tarde pra falar com ELA, perde o sono, a fome, a sede. Diz que precisa DELA, que quer ELA perto, que adora ELA. Fala DELA para todos. Vive única e exclusivamente DELA. Eita como esse moço está mudado. Para melhor.
Escrito por O Imperador às 14h09
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Nós que te amávamos tanto
Fausto José, mais conhecido como Senhor Fausto - Pai da Lelê, é uma figura ímpar. E em matéria de cinema italiano, ele se mostra mestre.
Há um tempão marcamos de assistir “Nós que nos amávamos tanto”, do Ettore Scola (sobrenome digno à arte de fazer cinema), mas sempre algo acontecia para atrapalhar. Talvez fosse o destino trabalhando para que o filme viesse no momento certo. E veio.
No texto anterior disse sobre os deputados do PT chorando, e sobre como aquilo doeu em mim. Talvez fosse pior se tivesse visto o filme de Scola antes, pelo fato de ser a tradução mais literal que já vi do PT antes e do PT de hoje, com Delúbios, Silvinhos, Dirceus.
No filme, três amigos - Antonio, Nicola e Gianni - que lutaram contra o facismo, seguem vidas distintas, com apenas um elo de ligação: a bela Lucianna. Antonio não abandonou o sonho de sua geração, do proletariado no poder. Médico formado, não consegue trabalho por conta de seus ideais políticos. No hospital ele conhece Lucianna, a mulher que mudaria a vida dos três amigos. Ele é quem insere Lucianna, o PT de Scola (valeu, Seu Fausto), na vida do trio. À Nicola cabe o discurso da esquerda, uma espécie de “falamos, falamos e falamos. Mas e para sair do lugar?”. Escritor de livros sobre a sétima arte, é um erudito no cinema italiano. A cena mais clássica do filme é dele, quando num programa nos moldes de “Show do milhão”, Nicola responde a uma pergunta sobre um filme de Vittorio de Sica. O auditor do programa julga estar incorreta a resposta, e das vultuosas liras que receberia, sái quase que com uma mão na frente e a outra também. Anos depois o próprio de Sica, numa palestra, explica a questão sem suprimir uma só vírgula do que Nicola havia dito. Um amigo diz a Nicola: Vá lá e fale com ele. Nicola, por sua vez diz: o que falaria com Vittorio?
Aí está: o que falaria com Lula. Atesta-se, anos mais tarde, que metade das acusações eram infundadas, que houve pré-julgamento. O que falar a Lula numa hora dessas? Que “estávamos certos”. Tarde demais, os certos estariam mortos.
A Gianni cabe a analogia da traição, aquele sentimento externado pelo presidente, por este que vos escreve e por milhares de outros, em proporções diversas. Gianni torna-se um rico advogado e é dono de duas cenas impagáveis: na primeira, ele e o futuro chefe e mais tarde sócio, uma espécie de Dom Fabrizio, do Lampedusa, travam um diálogo assaz atemporal e desesperador. “Dom Fabrizio” diz que o problema dos honestos é que, quando eles roubam, fazem pior do que os desonestos. A outra é Gianni morrendo durante o combate ao facismo. Para ele, a vida burguesa era desesperadora, mais valia morrer no combate a algo que ele execrava, e que mais tarde tornou-se um dos.
E Lucianna é o PT, com um saco de gatos de maridos/amantes/qualquer que o valha. Nesse caso, ao menos, o PT termina na esquerda.
Um grande filme, uma aula de cinema. Se você tiver tempo, quarta-feira a Globo transmite, de madrugada. Cabem duas hipóteses: a Revolução Socialista de Helô Helena chega ao ápice quando a Globo passa o filme. Ou ela transmite de madrugada para ninguém lembrar do que o PT foi e o que o PT é.
Serviço: na madrugada de quarta para quinta, no Intercine, às 1:50. Antes, resta torcer para o filme conseguir votos suficientes. Que ninguém leia isso, para não relacionar com o PT antes de assistir e causar uma derrota abominável no sufrágio. Direção de Ettore Scola e atuações de Vittorio Gassman, Nino Manfredi, Stefania Sandrelli (mulher tão bonita quanto a Claudia Cardinale). Nota deste que ofende à lingua pátria: 9.
Escrito por O Imperador às 13h11
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